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Primeiros passos
Este simpósio é uma ação da pesquisa/projeto de pós-doutorado em teoria psicanalítica/Universidade Federal do Rio de Janeiro intitulada “Adolescência, errâncias e a cultura como ancoragem: o sujeito em face a segregação”, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro, de autoria de Aline Bemfica e supervisão da professora Dra. Maria Cristina Poli. Este projeto de pesquisa é uma intervenção em psicanálise e é realizado com jovens em situação de deslocamento migratório e adolescentes em situação de rua/abrigamento.

Como nasceu esse simpósio?
O projeto deste simpósio foi desenhado a partir de um desejo (em) comum, de Aline Bemfica e de Mélanie Montinard, de dar lugar ao vivo da experiência das pessoas em situação de migração na construção de seus refúgios, ancoragens e laços culturais. Na esteira deste ponto de partida – o vivo da experiência da migração – o objetivo era também fomentar o intercâmbio de ideias e contribuir com as pesquisas acadêmicas em curso. A diretriz assumida nesta intervenção segue a orientação da psicanálise freudiana e lacaniana. E sendo também uma causa compartilhada é a base da parceria com a antropóloga Mélanie Montinard, fundadora da Associação Mawom.

Esta associação se caracteriza como um movimento para a promoção da Mobilidade, Diversidade, Conexões e Integração dos migrantes na cidade do Rio de Janeiro. Esta associação atua de forma a difundir a cultura de cada migrante na sociedade de destino através de uma articulação realizada em eventos culturais e capacitações. Entendendo a importância de fazer ecoar na cidade a diversidade das vozes com as quais se constrói uma cultura, começou-se a esboçar essa intervenção. A ideia era acolher as pesquisas realizadas sobre este tema e práticas desenvolvidas com os migrantes e refugiados a partir do prisma da heterogeneidade, fazendo dialogar com os diversos saberes sobre essa temática as questões pungentes e genuínas dos processos migratórios, tal como apresentadas pelas pessoas em situação de migração.

Em um segundo momento, com Maria Cristina Candal Poli, parceira de trabalho e supervisora deste projeto, este evento foi incluído no campo da extensão universitária. Ou seja, nesta modalidade acadêmica que nos permitiu dar corpo e formalizar a implicação da universidade e da psicanálise com a escuta das diversas vozes que compõem a nossa cultura brasileira. Cultura esta marcada pela mistura com tantas outras culturas.

Finalmente, a partir do encontro com Lia Krucken, artista visual que trabalha com criação colaborativa e design, finalizamos a composição da estrutura deste seminário a partir da ideia de resistência colaborativa. Ou seja, a partir da seguinte orientação ética: uma intervenção que inclui a diversidade de fazeres, saberes e experiências contribui, na medida mesmo em que dá lugar para uma escuta ativa do “encontro inesperado do diverso”, para fazer resistência à movimentos de segregação em nosso país que vivencia tempos incertos e sombrios. Assim, com a proposta de conjugar a experiência acadêmica às práticas realizadas e às vozes vivas de uma cultura a ser reescrita continuamente, apresentamos brevemente o “Primeiro Simpósio Internacional sobre Migrações, Refúgios e Laços Culturais”

 

Apresentação

“Como estar à altura de nosso tempo? “ (Lacan, 1974)

 

Esta pergunta de Jacques Lacan (1974) conduz a proposta de reunir, no primeiro Simpósio Internacional sobre Migrações, Refúgios e laços sociais, na cidade do Rio de Janeiro, pesquisadores de diversas áreas, sujeitos participantes dos processos de pesquisa e sociedade civil.

Nosso objetivo principal é partir da vivacidade das práticas realizadas nos projetos desenvolvidos e pesquisas e trocar experiências, contribuindo para um diálogo multidisciplinar aos interessados neste campo. Dessa forma, entendemos ser possível construir conexões e produzir intercâmbios entre as pesquisas apresentadas, os pesquisadores, os migrantes e refugiados e o público em geral.

Assim, pesquisadores das áreas da literatura, artes, antropologia, psicologia e psicanálise, história, assistência social, direito, cinema, design e comunicação foram convidados, junto à sociedade civil, a compor este espaço de intercâmbio de ideias e práticas na interface entre o Brasil, a África e a Europa.

Um debate aberto e flexível

O tema das migrações e dos refúgios no Brasil e em outros continentes é, atualmente, um dos assuntos mais complexos e urgentes em nossa sociedade. O processo de integração cultural, social e subjetivo das pessoas em deslocamento exige dos mais diversos campos de saber assumir o desafio de pensar coletivamente as formas possíveis de laços entre as culturas.

A ideia de laços culturais engloba, por um lado, formas inéditas de conexões entre culturas e, por outra, a construção de um lugar subjetivo que contemple a história de vida dessas pessoas. As diversas áreas que se desdobram sobre esse tema valem-se da própria experiência dos migrantes, sejam eles em situação de deslocamento voluntário ou forçado, de forma que o saber produzido não esteja distante da realidade. Por isso, este simpósio se estrutura em rodas de conversas e oficinas, de forma a manter uma flexibilidade no debate.

 

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